Nossos personagens

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Saiba mais sobre grandes personagens da história baiana, como Antônio Conselheiro, Castro Alves, Corisco e Dadá, Coronel Horácio de Matos, Cuíca de Santo Amaro, Joana Angélica, Lampião e Maria Bonita, Maria Quitéria, Padre Antônio Vieira e Ruy Barbosa.

Antônio Conselheiro

Filho de comerciante, Antônio Vicente Mendes Maciel ficou órfão da mãe aos seis anos. Aos 27 anos, perdeu o pai e começou a cuidar da loja da família, com a qual sustentava as quatro irmãs. Ficou dois anos à frente do negócio e, depois, passou a dar aulas numa escola de fazenda. Graças aos seus estudos e esforço pessoal, tornou-se escrivão de cartório, solicitador (encarregado de encaminhar petições ao poder Judiciário) e rábula (advogado sem diploma). Estaria encaminhado profissionalmente, caso um problema pessoal não viesse mudar radicalmente sua vida.

Depois de casado, Antônio Maciel foi traído pela mulher que fugiu com outro homem. Transtornado pela humilhação, começou a perambular sem destino certo pelo interior do Ceará e de outros estados do nordeste. Para sobreviver, trabalhou como pedreiro e construtor, ofício aprendido com o pai. Restaurava e construía capelas, igrejas e cemitérios.

Esse trabalho e as pregações do padre Ibiapina – que peregrinava pelo sertão fazendo obra de caridade – influenciaram Antônio Maciel. Ele passou a ler os Evangelhos e a divulgá-los entre o povo humilde, ouvindo também os problemas das pessoas e procurando consolá-las com mensagens religiosas. Devido aos conselhos, tornou-se conhecido como Antônio Conselheiro e arrebanhou um número crescente de seguidores fiéis que o acompanhavam pelas suas andanças.

À medida que a simpatia dos pobres por ele aumentava, surgiam também os inimigos, que se sentiam prejudicados. Por um lado, os padres, que viam seu prestígio diminuir diante das pregações de um leigo. Por outro, os latifundiários, que viam muitos empregados de suas fazendas abandonarem tudo para seguir o beato. Em 1874, o Conselheiro e seus seguidores se fixaram perto da vila de Itapicuru de Cima, no sertão da Bahia, onde fundaram o arraial do Bom Jesus. Dois anos depois, acusado de ter assassinado a esposa, Antônio Conselheiro foi preso e mandado para o Ceará, onde o julgamento comprovou sua inocência.

Entretanto, seu fervor religioso aumentou durante a temporada na prisão. Da mesma maneira, aumentou seu prestígio entre os pobres, que passaram a vê-lo como um mártir. Mais gente se reuniu a sua volta e o acompanhou sertão afora, por andanças que duraram 17 anos. Em 1893, ele se estabeleceu definitivamente numa fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris, numa afastada região do norte da Bahia, conhecida como Canudos.

Ali, fundou um povoado, que chamou de Belo Monte. Rapidamente, o vilarejo se transformou numa cidade cuja população é estimada entre 15 mil e 25 mil habitantes (há controvérsia entre os historiadores). Canudos prosperou e se tornou incômoda para as autoridades políticas e religiosas locais, que procuravam um pretexto para acabar com ela. Um problema comercial acerca de uma compra de madeira na cidade de Juazeiro deu motivo para que uma tropa de soldados da polícia baiana investisse contra os seguidores do Conselheiro em novembro de 1896. A derrota dos policiais deu início a um conflito que ficou conhecido como Guerra de Canudos, que assumiu enormes proporções. Mobilizaram-se tropas do exército em três expedições militares que, enfrentando enorme resistência da população de Canudos, promoveram um massacre no arraial. O confronto estendeu-se até 5 de outubro de 1897, quando o exército tomou definitivamente o arraial. Antônio Conselheiro morrera poucos dias antes, não se sabe exatamente como.

Castro Alves

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Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 em Curralinho, na Bahia. Em 1862 foi para o Recife com o intuito de estudar Direito. Lá, além de iniciar o seu romance com a atriz portuguesa Eugênia Câmara, percebe também os primeiros sintomas da tuberculose. Em 1864, após ser reprovado nos primeiros exames necessários para a admissão na faculdade, ingressa na Faculdade de Direito, porém dedica-se mais à poesia do que aos estudos.

Nesse período conhece Tobias Barreto, a quem tanto admirava e cujas idéias liberais passou a seguir. Em 1867 abandona definitivamente o Recife e vai para Salvador, onde é encenada a peça "Gonzaga" ou "Revolução de Minas" de sua autoria. Em 1868 vai para São Paulo acompanhado de Eugênia Câmara e do amigo Rui Barbosa, com quem fundou uma sociedade abolicionista, e matricula-se no terceiro ano da Faculdade de Direito do largo São Francisco, onde declama pela primeira vez o poema Navio Negreiro. Ainda nesse ano é abandonado por Eugênia e, durante uma caçada, fere acidentalmente o pé com uma arma de fogo. Esse acidente provocou a amputação de seu pé e, logo em seguida, sua tuberculose agrava-se e o poeta vai para a Bahia, onde falece em 6 de julho de 1871.

A obra de Castro Alves, o poeta dos escravos, foi fortemente influenciada pela literatura político-social de Vitor Hugo. O poeta cultivou o egocentrismo, porém, diferentemente dos românticos tradicionais, interessou-se também pelo mundo que o cercava e defendeu a república, a liberdade e a igualdade de classes sociais. Castro Alves, segundo Jorge Amado, teve muitos amores, porém, o maior de todos eles foi a Liberdade. Sua obra é composta basicamente por: Espumas Flutuantes (1870); Gonzaga ou a Revolução de Minas (1875); A Cachoeira de Paulo Afonso (1876); Vozes d’África e Navio Negreiro (1880) e Os Escravos (1883).

Corisco e Dadá

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Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido como Corisco, nasceu em 1907, na localidade de Matinha de Água Branca, no Estado de Alagoas. Com o passar dos anos, ficou belo como um galã de cinema: possuía boa estatura, ombros largos, pele alva e cabelos louros e longos. Além desses atributos, ele era dotado de grande força física e de uma coragem extraordinária. Em agosto de 1926, entrou para o bando de Lampião,  recebendo o apelido de Corisco seqüestrou Sérgia Ribeiro da Silva, a Dada, quando ela tinha, apenas, treze anos de idade. À força, colocou-a na sela do seu cavalo e fugiu pela caatinga. Dadá era morena, tinha cabelos pretos e 1,70 m de altura. Quando foi desvirginada brutalmente pelo Diabo Louro, a adolescente sofreu uma hemorragia tão intensa que quase morreu. Com o passar do tempo, porém, Corisco se tornou mais delicado, e o ódio sentido por ela se transformou, primeiro, em simpatia e, depois, em imenso amor.

Da mesma forma que a treinou para o uso de diversos armamentos, Corisco ensinou Dadá a ler, a escrever e a contar. Por sua grande coragem, ela era tão admirada pelos bandidos que certos chefes de bandos ressaltavam: Dadá vale mais do que muito cangaceiro! Com o Diabo Louro, ela teve sete filhos, mas apenas três deles conseguiram sobreviver. De 1921 a 1934, Lampião dividiu seu bando em vários subgrupos, dentre os quais os chefiados por Corisco, Moita Brava, Português, Moreno, Labareda, Baiano, José Sereno e Mariano. Para o rei do cangaço, entretanto, o de Corisco sempre foi o bando mais importante de todos. Além de comparsas, os dois eram, ainda, grandes amigos.

Quando Lampião foi morto, Corisco e Dadá estavam na fazenda Emendada, em Alagoas. Com a morte do chefe do bando, Corisco assumiu o comando do bando. Mas, em 1939, durante um duro combate contra três volantes, na fazenda Lagoa da Serra, em Sergipe, ele foi ferido e nunca mais se recuperou: ficou com a mão direita ficou paralisada e o braço esquerdo atrofiado. A partir desse dia, Dadá se tornou a primeira (e única) mulher no cangaço a utilizar um fuzil. Um ano depois, Corisco dissolveu o bando. Apenas na companhia de Dadá, de Rio Branco e da mulher dele partiu para o sul da Bahia, à procura de um refúgio seguro. Iniciou, então, uma longa jornada pelo sertão. Para evitar ser reconhecido, vestiu-se de vaqueiro, cortou os longos cabelos loiros, aboliu o chapéu e as roupas do cangaço e, com todo o ouro que juntara durante todos aqueles anos, planejou ter uma vida diferente. No dia 5 de maio de 1940, por fim, na região de Brotas de Macaúbas, na Bahia, uma volante cercou o que restou do grupo e Corisco foi atingido na barriga por uma rajada de metralhadora. Ficando com os intestinos à mostra. Naquele mesmo conflito, Dadá foi atingida na perna, mais tarde amputada, mas só faleceu em 1994.

A bravura e a crueldade de Corisco foram celebradas pelo cineasta Glauber Rocha, em Deus e o diabo na terra do sol. Em uma das cenas antológicas, o cangaceiro respondia ao seu perseguidor que se entregaria, somente, em outra vida. Quem conhece os fatos históricos, porém, sabe que, no derradeiro conflito, ao ser atingido mortalmente pelos projéteis, Corisco gritou, apenas: Maior são os poderes de Deus!

Coronel Horácio de Matos

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O coronel mais famoso da Chapada Diamantina herdou do tio, Clementino Matos, o poder e as rixas que guiariam suas atitudes até o fim da vida. O início de sua carreira foi pacífico: Horácio fez uma peregrinação pelas cidades e fazendas com a intenção de propor trégua nas brigas políticas. Entretanto, comunicado do assassinato de seu irmão Vítor por jagunços rivais, Horácio mobiliza suas influências para que os assassinos abrigados no município de Campestre, sob proteção do chefe local Manuel Fabrício, fossem julgados de acordo com a lei. Com a demora de meses para a resolução do caso, Horácio decide cercar a fazenda e vence o rival pela insistência.

A vitória seguinte foi contra o coronel Militão Rodrigues Coelho, que vinha conquistando novas terras na região. Os grupos lutaram por cinco meses, resultando em 400 mortos e mais poder regional para Horácio. A influência política em Lençóis foi obtida de forma bem menos violenta: Aureliano Sá, um pacifista, que não teria chances num confronto, optou por retirar a família das disputas e ceder o comando ao coronel Horácio de Matos.

O aumento de seu poder e das regiões sob seu domínio lhe renderam os títulos de Delegado Regional da Zona Centro-Oeste e Senador Estadual. Em 1926, a pedido do governo federal, foi o responsável pela organização do Batalhão Patriótico das Lavras Diamantina, um exército de jagunços e militares que combateu a Coluna Prestes durante sua tumultuada passagem pela Bahia. Após a vitória, Horácio é operado de apendicite às pressas no Rio de Janeiro e, de volta à Chapada, é recebido como herói nas terras que comandava. Com a Chapada mergulhada numa crise econômica e social que as batalhas haviam ajudado a acentuar, Horácio de Matos é nomeado Intendente de Lençóis. Constrói estradas, escolas, calçamentos, rede elétrica e, para facilitar a circulação de dinheiro na região, chega a emitir papéis coloridos que viraram moeda corrente.

Logo após a revolução de 30, contra a qual chegou a mobilizar seus homens a pedido do governo em crise, Horácio de Matos é preso pelo tenente Hamilton Pompa e levado a Salvador. Não houve resistência, até porque todas as armas dos jagunços haviam sido apreendidas por ordem oficial e a região já estava tomada por soldados. Com uma pressão das elites locais, o coronel acaba conseguindo a liberdade condicional, mas é proibido de sair da capital. Irado com o fato, o tenente Hamilton segue para o Palácio do Rio Branco, disposto a matar o responsável pela liberdade do coronel, e acaba assassinado por um guarda. O clima de rivalidade política resulta na morte de Horácio de Matos, dois dias depois, enquanto passeava com sua filha mais velha, Horacina, no centro da capital baiana.

Cuíca de Santo Amaro

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Um cronista do cotidiano, mistura de trovador e repórter, infernizou a vida de Salvador dos anos 40 aos 60. Batizado de José Gomes foi com a alcunha de Cuíca de Santo Amaro que se celebrizou como um dos personagens mais importantes da história recente da cultura baiana. Seus versos virulentos assustavam poderosos e gente comum, e não havia segredo guardado a sete chaves que escapasse do seu faro para escândalos, que tornava público na cidade através de cordéis. Estes foram, ao longo da vida, o seu ganha-pão, venal para uns, genial para outros, uma coisa, porém, ninguém nega: este personagem do século passado mantém uma atualidade singular, que não se insere em nenhum rótulo.

Com muita ironia Cuíca de Santo Amaro transformava fatos “sigilosos” em cordéis berrados nas ruas, oferecendo à população noticias que os jornais não publicavam. Para quem passava pelo Elevador Lacerda, Mercado Modelo ou pela Estação da Leste, entre as décadas de 1940 e 60, a cena era comum. Uma roda de pessoas com olhar atento, soltando gargalhadas. Umas davam sorrisinhos sem graça, outras passavam direto, apressadas, quase tapando os ouvidos. O grupo estava reunido para escutar as novas histórias do poeta-repórter mais famoso da cidade. Eram casos que falavam sobre quase tudo o que acontecia nas ruas, becos e até mesmo dentro das casas da província da Bahia e também nas cidades do interior do estado. Ele transformava em versos acontecimentos do Brasil e do mundo. Tudo com muita ironia e língua afiada. Amado por uns, odiado por outros, tinha uma predileção especial pelo que era mantido em sigilo, um faro aguçado para descobrir o que estava escondido. Registrando como José Gomes, foi como o nome de Cuíca de Santo Amaro que se celebrizou.

Ouvir seu nome era sinal de temor para muita gente, afinal ninguém sabia o estava por vir quando Cuíca de Santo Amaro desfilava pelas principais ruas de Salvador vestido com seu fraque bem passado, flor na lapela e chapéu-coco, declamando seus versos de poeta trovador. Trazia debaixo do braço mais uma edição de suas revistas de cordel e gritava com voz rouquenha o último escândalo ocorrido na chamada sociedade, para o delírio da platéia – geralmente tão pobre quanto ele – e desespero da família atingida.

O repórter baiano Odorico Tavares escreveu um artigo na revista O Cruzeiro, em 26 de outubro de 1946, sobre Cuíca. “O seu forte era o comentário sobre fatos do dia, o cotidiano baiano que explorava com crueldade sem limites. Ai de quem caísse no seu desagrado: em dois tempos, contava a sua historia em versos, imprimia, arranjava do Sinésio (Sinésio Alves, ilustrador de capas de folhetos do cordel baiano da época e colega de travessuras do Cuíca) o desenho adequado para as capas e largava brasa. Um inferno para as suas vitimas, um gozo para o público que cercava e o ouvia, às gargalhadas”.

Não é à toa que ainda hoje é considerado por alguns estudiosos uma espécie de Gregório de Matos sem gramática. Apesar de não ter estudado e não estar entre os melhores verificadores da literatura de cordel, Cuíca era a síntese do trovador-repórter popular. Forneceu um relato picante e interessante do seu tempo, um retrato folclórico-popular da vida baiana, através de centenas de folhetos, impressos semanalmente durante 25 anos. Para perceber a importância e o destaque que um cordelista podia ter naquele tempo é preciso perceber que o contexto era outro. Quando Cuíca começou a trabalhar como repórter autônomo, Salvador era uma cidade que tinha poucos, mas influentes jornais dominado por grupos políticos. Isso numa época em que não existia televisão e eram escassas as emissoras de rádio, como explicou em entrevista ao jornal Correio da Bahia, o jornalista, pesquisador e conselheiro do tribunal de Contas dos Municípios, Paolo Marconi, no livro Cuíca de Santo Amaro – O último Boca do Inferno. “Optando por disputar o mercado em faixa própria, (Cuíca) lançava mão de assuntos geralmente não explorados pele imprensa tradicional, que preferia ficar ao largo, porque feriam a moral e os bons costumes vigentes, seus interesses políticos, econômicos e de classe. Espelhando-se na imprensa de seu tempo, ele não media conseqüências ao escrever e vender seus versos”, lembra Marconi.

Joana Angélica

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Heroína da independência, nasceu em Salvador. É considerada a primeira mártir brasileira, sacrificou a própria vida na defesa da clausura do convento da Lapa contra o exército português. De família abastada, aos 20 anos optou pela vida monástica (1782), entrou para o noviciado e tornou-se franciscana do ramo das Clarissas. Após o noviciado foi irmã, escrivã, vigária e abadessa do convento da Lapa. Com a revolta dos soldados brasileiros contra a nomeação no início do ano de 1822 do brigadeiro português Madeira de Melo para comandante das armas da província, soldados portugueses, sob o pretexto de haver patriotas escondidos no convento, derrubaram a porta a golpes de machado.

Já abadessa do Convento, enfrentou os soldados lusitanos e teve o peito trespassado de baionetas. Esvaindo-se em sangue foi levada para um sofá de palhinha, que ainda pode ser visto, e faleceu pouco depois, tornando-se, assim, a primeira mártir da grande luta que continuaria, até a definitiva libertação da Bahia, no ano seguinte.

Lampião e Maria Bonita

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Como todas as lendas que tendem a se torna maiores que os fatos, a de Lampião e sua saga pelo nordeste brasileiro contem todos os elementos de aventura, romance, violência, amor e ódio das grandes histórias da humanidade. Virgulino Ferreira da Silva, ou simplesmente Lampião, nasceu em 7 de julho de 1897, na pequena fazenda dos seus pais em Vila Bela, atual município de Serra Talhada, em Pernambuco. Era o terceiro filho de uma família de oito irmãos. Desde criança, mostrou ser excelente vaqueiro. Mas um conflito com vizinho e jogou na clandestinidade após o assassinato de seus pais.

Lampião foi o maior cangaceiro – nome dado aos foras-da-lei, que viviam de forma organizada, no final do século XIX e início do século XX, na região do nordeste brasileiro – de todos os tempos. Existem duas versões para o seu apelido. Dizem que, ao matar uma pessoa, o cano de seu rifle, em brasa, lembrava a luz de um lampião. Outros garantem que ele iluminou um ambiente com tiros para que um companheiro achasse um cigarro perdido no escuro.

Percorreu sete estados da região nordeste durante as décadas de 1920 a 1930, levando sangue, morte e medo à população do sertão. Causou grandes transtornos à economia do inteior e sua história é um misto de verdades mentiras. No início da década de 30, mais de 4 mil soldados estavam em seu encalço, em vários estados. Seu grupo contava então com 50 elementos entre homens e mulheres. Comparado a Robin Hood, Lampião roubava de comerciantes e fazendeiros, sempre distribuindo parte do dinheiro com os mais pobres. No entanto, seus atos de crueldade lhe valeram a alcunha de Rei do Cangaço. Para matar os inimigos, enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço.

Seu bando seqüestrava crianças, botava fogo nas fazendas, exterminava rebanhos de gado, estuprava coletivamente, torturava, marcava o rosto de mulheres com ferro quente. Antes de fuzilar um de seus próprios homens, obrigou-o a comer um quilo de sal. Assassinou um prisioneiro na frente da mulher, que implorava perdão. Lampião arrancou olhos, cortou orelhas e línguas, sem a menor piedade. Perseguido, viu três de seus irmãos morrerem em combate e foi ferido seis vezes. Em 1929, conheceu Maria Déa, a Maria Bonita, a linda mulher de um sapateiro chamado José Neném. Ela tinha 19 anos e se disse apaixonada pelo cangaceiro há muito tempo. Pediu para acompanhá-lo. Lampião concordou. Ela enrolou seu colchão e acenou um adeus para o incrédulo marido. Grande estrategista militar, Lampião sempre saía vencedor nas lutas com a polícia, pois atacava sempre de surpresa e fugia para esconderijos no meio da caatinga, onde acampavam por vários dias até o próximo ataque.

Tornou-se amigo de coronéis e grandes fazendeiros que lhe forneciam abrigo apoio material. O governo baiano ofereceu 50 contos de réis pela captura de Lampião em 1930. Era dinheiro suficiente para comprar seis carros de luxo. Lampião morreu no dia 28 de julho de 1938, na Fazenda Angico, em Sergipe. Os trinta homens e cinco mulheres estavam começando a se levantar, quando foram vítimas de uma emboscada de uma tropa de 48 policiais de Alagoas, comandada pelo tenente João Bezerra.

O combate durou somente 10 minutos. Os policiais tinham a vantagem de quatro metralhadoras Hotkiss. Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas. Maria foi degolada viva. Os outros conseguiram escapar. Mas o cangaço terminou em 1940, com a morte de Corisco, o Diabo Loiro, o último sobrevivente do grupo comandando por Lampião. Lampião é odiado e idolatrado com igual intensidade, estando sua imagem viva no imaginário popular mesmo após 60 anos de sua morte. Sua influência nas artes – música, pintura, literatura e cinema – é impressionante.

Maria Quitéria

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Filha de um sitiante da região de Cachoeira, Maria Quitéria de Jesus Medeiros ficou órfã de mãe aos 10 anos, passando a cuidar da casa e de seus dois irmãos mais novos. Com eles aprendeu a montar e a usar armas. Em 1822, pediu ao seu pai para se alistar no Exército brasileiro, mas não obteve. Fugiu, então, para casa de sua irmã Tereza e de seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros e vestida com roupas de homem e com os cabelos cortados, alistou-se como soldado Medeiros.

Passou a integrar o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, também chamado de Batalhão dos Periquitos, por causa da gola e dos punhos verdes do uniforme. Duas semanas depois, Quitéria foi descoberta por seu pai, mas impedida de deixar o exército pelo major Silva e Castro, que lhe reconheceu grandes qualidades militares.

Combateu na foz do Rio Paraguaçu, onde demonstrou heroísmo. Participou também dos combates na Pituba e em Itapuã, sendo sempre destacada por sua coragem. Com o fim da campanha na Bahia, foi ao Rio de Janeiro, onde recebeu das mãos do imperador D. Pedro 1º. a condecoração de "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro",em reconhecimento por sua bravura. Voltando a Bahia, levou também uma carta do Imperador a seu pai, pedindo que a perdoasse por sua desobediência. Casou-se com o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição.

Mudou-se depois com a filha para Salvador, onde morreu quase cega, em total anonimato. Maria Quitéria foi a primeira mulher, no Brasil, a sentar praça num acampamento militar. Em 1953, cem anos depois de sua morte, o governo brasileiro ordenou que "em todos os estabelecimentos, repartições e unidades do Exército fosse inaugurado o retrato da insigne patriota".

Padre Antônio Vieira

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Antônio Vieira tinha 6 anos quando veio para o Brasil, ingressando pouco depois no Colégio dos Jesuítas. Como noviço na Companhia de Jesus, em 1624 foi encarregado de escrever a carta Ânua – o relato anual das atividades dos jesuítas aos superiores em Lisboa. No ano seguinte, fez seu voto de castidade, pobreza e obediência, deixando a condição de noviço para iniciar os estudos de Teologia.

Foi professor de Retórica em Olinda no ano de 1627, pregador na Bahia em 1633, ordenando-se em 1638. Como pregador, defendia os interesses do Brasil contra a ganância da Metrópole, defendia os escravos, os judeus e insistiu numa ação decisiva contra o invasor holandês. Fundou a Companhia Geral do Comércio do Brasil e foi ministro em Haia, em 1646, quando escreveu o documento Papel Forte, pelo qual foi apelidado em Lisboa de "Judas do Brasil".

Em 1662 foi expulso do Brasil para Portugal, onde exerceu a função de confessor da regente Dona Luísa e pregador da Capela Real. A mando do novo rei, Dom Afonso VI, foi desterrado para a cidade do Porto. Preso pela Inquisição e posto em liberdade por Dom Pedro, obteve sua absolvição quando viajou para Roma, em 1675. Retornou ao Brasil em 1681, instalando-se na Bahia.

Os sermões e cartas que deixou são considerados verdadeiros monumentos da literatura barroca e da ciência política. Também deixou fragmentos de um livro de profecias, que tinha o nome de Clavis Prophetanum, publicado em 1718 sob o título de História do Futuro. Os seus famosos sermões foram proferidos do púlpito da Igreja da Ajuda.

Ruy Barbosa

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Ruy Barbosa foi um importante estadista, político, diplomata e jurista brasileiro. Nasceu na cidade de Salvador, em 5 de novembro de 1849. Apoiou o movimento republicano e teve uma grande participação no processo de Proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro de 1889. Tornou-se o primeiro ministro da fazenda da história do Brasil República.
Era dotado de vasta erudição, sendo um excelente orador. Foi embaixador do Brasil na Conferência de Haia (1907), representando o Brasil com grande mérito e destaque. Em função desta participação brilhante, ganhou o apelido de Águia de Haia. Foi também um brilhante escritor. Entre suas obras mais importantes, encontram-se: O Papa e o Concílio, Habeas Corpus, Cartas de Inglaterra, entre outras.

Na política, exerceu os cargos de deputado federal e senador da República. Candidatou-se a presidência da República, sem êxito, nas eleições de 1910 e 1914. Faleceu na cidade de Petrópolis (Rio de Janeiro) em 1º de março de 1923.

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