A História dos Vencidos

A Canudos de hoje está a 15 km da velha Canudos, e vive da pesca de tilápias e tucunarés do açude de Cocorobó e do cultivo de sementes na área aproveitada do perímetro irrigado pelo açude.  O Centenário de Canudos foi comemorado em 1997. Decorridos mais de cem anos dos dramáticos episódios nos sertões da Bahia, prosseguem os esforços de estudiosos, brasileiros e estrangeiros, para descrevê-los e interpretá-los, tentando vencer a dicotomia entre o real e o imaginário que o caso histórico sempre ensejou.

A Igreja hoje já tem outro discurso: “ O Conselheiro era um homem fantástico. Estamos resgatando a história dos vencidos”, garante o Padre João Antônio, numa visão que faria arrepiar D. Luís, Arcebispo da Bahia, que, em 1882, proibia os paroquianos de ouvir as pregações do Conselheiro.

A cidade já se acostumou com os forasteiros. “O movimento tem aumentado muito nos últimos anos”, diz Jailda Oliveira, dona do Hotel São João Batista, onde se hospedou o escritor peruano Mário Vargas Llosa, enquanto escrevia A Guerra do Fim do Mundo, sobre a tragédia de Canudos, lançado em 1981, e traduzido para mais de 15 idiomas. O pai de Jailda, João da Guerra, sabia muitas histórias e foi uma das fontes do escritor.

Canudos ainda vive meio isolada da capital. As emissoras de televisão só transmitem a programação do Rio e de São Paulo. Os jornais só chegam por encomenda. É preciso percorrer um trecho de 84 km de estrada de barro para alcançar a cidade. É no dia de feira, aos domingos, que a alma sertaneja se faz presente no centro da cidade. Raizeiros vendendo ervas medicinais, propagandistas com mala de cobra anunciando remédios milagrosos, e um grupo de zabumba saudando o padroeiro da cidade.

Do centro de Canudos se avista uma espécie de platô avermelhado, que se sobressai sobre uma planície, conhecido como Toca Velha. É morada da arara azul de lear, uma espécie de ocorrência restrita à caatinga. Nenhum caçador entra mais naquela área depois de um trabalho de conscientização desenvolvido pela fundação Biodiversitas para a conservação da diversidade biológica, com sede em Belo Horizonte. A fundação tem conseguido aumentar a população das aves, que estavam ameaçadas de extinção.

 

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