Fale conoscoTradição e devoção marcam homenagens à Rainha do Mar
Baianos e turistas homenageiam nesta quinta-feira (2 de fevereiro), Iemanjá, uma das orixás femininas mais respeitas do candomblé. A entrega das oferendas e comemorações para a Rainha do Mar acontecem na praia do Rio Vermelho durante todo o dia, onde são entregues perfumes, espelhos, sabonetes, pentes, flores e demais presentes levados ao mar para agradar a vaidosa sereia.
Vestidos de branco e azul, aproximadamente 500 mil devotos devem reverenciar a deusa das águas. De acordo com o presidente da colônia de pescadores do Rio Vermelho e responsável pela organização da festa, Marcos Souza, mais de 300 embarcações devem participar do cortejo marítimo que levará os presentes para a Rainha do Mar.
A entrega dos presentes pode ser realizada a partir das 18 h desta quarta-feira (1º), no barracão da Colônia dos Pescadores do Rio Vermelho - local destinado para deposito das oferendas que vão ser levadas ao mar. Já na quinta (2), as homenagens têm inicio às 5h, com a alvorada e chegada do presente principal. Segundo os organizadores da festa o cortejo marítimo que levará as oferendas para o mar por volta das 16h.
Em paralelo às demonstrações de devoção dos admiradores de Iemanjá, os festejos se estendem por ruas, bares e restaurantes do Rio Vermelho, tornando a comemoração numa das mais importantes e bonitas festas de largo da Bahia.
Tradição – As primeiras manifestações datam do início do século XX, quando um grupo de 25 pescadores resolveu fazer oferendas para a Mãe das Águas, pedindo em troca a fartura de peixes e tranquilidade nas águas. Desde então, no dia 2 de fevereiro, o Rio Vermelho é palco da festa que une sagrado e profano.
A tradição também contempla oferendas para a Rainha das Águas Doces, Oxum, com a entrega dos presentes no Dique do Tororó, às 1h da quinta-feira (2). Os adeptos do Candomblé dizem que a prática é feita para que Oxum não sinta ciúmes de Iemanjá.
Reza a lenda Iorubá que Iemanjá, filha de Olokum, casou-se com Olofin-Odudua, em Ifé, na Nigéria, e teve dez filhos, todos orixás. A amamentação teria lhe rendido seios enormes e, cansada de viver em Ifé, Iemanjá fugira em direção ao “entardecer-da-terra”. Chegando a Abeokutá, Okerê lhe propôs casamento e ela aceitou, com a condição de que o marido jamais a ridicularizasse por conta dos seios. Uma ofensa de Okerê causou fúria à filha de Olokum, que fugiu novamente, encontrando num presente do pai o caminho para as águas. Nunca mais voltou para a terra. Iemanjá tornou-se a Rainha do Mar. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.
Programação
1º de fevereiro (quarta-feira)
18 h - Liberação do barracão da Colônia dos Pescadores do Rio Vermelho para entrega dos presentes
2 de fevereiro (quinta-feira)
1h - Entrega de oferenda de Oxum no Dique do Torroró
5h – Alvorada e chegada do presente principal no Rio Vermelho
16h – Liberação do presente principal para o cortejo marítimo
18h - Retorno das embarcações
Veja fotos da Festa de Iemanjá em 2011































