Cachoeira

Cachoeira foi tombada pelo Instituto do Patrimônio e Histórico Artístico Nacional, em 1971, e passou a ser considerada Monumento Nacional. Depois de Salvador, é a cidade baiana que reúne o mais importante acervo arquitetônico no estilo barroco. As casas, igrejas, prédios históricos, dentre outras construções, preservam a imagem do Brasil Império - tempo em que o comércio e a fertilidade do solo fizeram de Cachoeira a vila mais rica, populosa e uma das mais importantes do Brasil, nos séculos XVII e XVIII.

Durante o século XIX, Cachoeira projetou-se na história política do país. As lutas contra a canhoneira portuguesa, a proclamação do príncipe D. Pedro I como Regente, o bombardeio e a resistência (quando surgiu a heroína Maria Quitéria), são fatos que, ainda hoje, enchem de orgulho a população local. Durante a Guerra do Paraguai, a enfermeira cachoeirense Ana Nery alistou-se no exército brasileiro e foi de grande importância no auxílio às tropas. As histórias de glória são tantas que, no tempo do Império, a vila foi congratulada com o título de “Heróica”. No início do século XX, Cachoeira ainda mostrava grande estabilidade econômica. Nessa época, com a fábrica de charutos Dannemann e Suerdieck ainda em atividade, a cidade virou centro de referência na produção fumageira. Hoje, restam as construções grandiosas dos anos áureos, pedida certa para os fãs do turismo histórico.

Atrações

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Características

Área
403km2
População
31.513
DDD
75
Feriados

02/07 - Independência da Bahia
02.11 | Finados
15.11 | Proclamação da República
Clima | Temperatura
Quente no verão e ameno no inverno | 25°

Artesanato

O artesanato de Cachoeira é composto por peças em cerâmica, couro, madeira e metal.

Gastronomia

O prato típico de Cachoeira é a maniçoba, que tem como base a folha da mandioca, um dos legados dos índios encontrados no Recôncavo Baiano. A maniçoba recebe os mesmos ingredientes da feijoada, porém com a folha da mandioca no lugar do feijão. Seu preparo é feito com as folhas da mandioca moídas e cozidas por aproximadamente uma semana, para que se retire da planta o ácido cianídrico, que é venenoso. Depois são acrescentados carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados. A maniçoba é servida acompanhada de arroz, farinha de mandioca e pimenta. A região do Recôncavo também é famosa pela produção de licor, principalmente durante as festas de São João. Sabores variados e exóticos, como maracujá, passas, rosas e chocolate, entre outros, aquecem os participantes das festas juninas.

 

Receita da maniçoba:
Ingredientes:
- 1 kg de folha de mandioca
- 1 kg de carne de músculo
- ¹/² kg de carne de sertão
- ¹/² kg de toucinho
- ¹/² kg de calabresa
- ¹/² kg de bacon
- 1 pé de porco
- 1 xícara de óleo.
 

Para o tempero:
- 3 dentes de alho
- 1 (uma) cebola
- Coentro e cebolinha a gosto
 

Modo de fazer:
O preparo é simples. O primeiro passo é lavar bem as folhas de mandioca deixando de molho por uma hora entre uma lavagem e outra. O processo deve ser feito três vezes.
As folhas são levadas ao fogo com duas xícaras de óleo. Depois de uma hora e meia, a folha já estará pronta. Aí é só colocar as carnes e o tempero e deixar cozinhar por mais uma hora e meia, e pronto.
 

Manifestações Culturais

Afoxé
A palavra “afoxé” significa adivinhação, profecia ou predição do futuro. Esta manifestação folclórica se caracteriza sobretudo pela figura central – o babalawô ou baba-oni-awô, o pai conhecedor do futuro, dos destinos, iniciado nos mistérios do jogo oracular, acompanhado de seus “ajudantes” em torno dos quais se desenvolve toda a atividade lúdica do grupo. Os participantes usam roupas de cetim e algumas filhas de santo vestidas de baiana, conduzem um estandarte. O centro de profundo interesse do afoxé, é a boneca preta – babalotim, bordada no estandarte. Os membros cantam em língua nagô e costumam ser muito aplaudidos pelo público.

 

Comunidades quilombolas
As comunidades remanescentes quilombolas ou terras de preto constituem agrupamentos étnico-raciais, com presunção de ancestralidade negra e resistência à opressão no período escravocrata. Trata-se, do ponto de vista da cultura, de espaços de preservação de uma identidade crucial na formação do povo brasileiro, ricas em tradições. Culturas desenvolvidas e recriadas pelos negros no solo brasileiro, como dança afro, samba de roda, capoeira e maculelê, são práticas vivas nessas comunidades, a maioria situada em área rural. Atualmente, a Bahia tem 332 comunidades reconhecidas pelo governo federal, onde vivem 25 mil famílias. Campo Formoso, Vitória da Conquista e Cachoeira são os municípios com maior número de comunidades certificadas como quilombolas.

 

Samba de Roda (Batuque, Chula, Corrido, de Coco e de Lata)
Ritmo nacional por excelência e símbolo da identidade cultural brasileira, o samba originou-se de danças africanas, como o lundu e a semba. Ao espalhar-se pelo país, dividiu-se em uma vasta escala de gêneros, tornando-se um estilo musical bastante diversificado. Na Bahia, destaca-se o samba de roda do Recôncavo, fortemente ligado às tradições africanas, como o candomblé. Em 2005, essa tradição conquistou o status de obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). No ano anterior, o samba de roda já havia sido registrado no Livro das Formas deExpressão, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tornando-se patrimônio cultural brasileiro.
Na Bahia, as principais variações detectadas são: batucada (também chamada de batuque, pode ser dançada em roda); samba corrido (samba em que se alternam um ou dois solistas e a resposta vocal do coro); samba chula (samba de versos ou chulas em que somente uma pessoa samba por vez); samba de coco (mistura letras singelas e traços das culturas indígena e sertaneja) e samba de lata (típico da comunidade quilombola de Tijuaçu, Senhor do Bonfim, de batucada em lata d’água). Um dos grupos mais tradicionais de samba de roda do país, o Samba de Roda Suerdieck, foi fundado em Cachoeira, em 1958, pela mestra Dalva Damiana de Freitas, de 82 anos, para homenagear santas católicas. O grupo é caracterizado pela presença de mulheres, vestidas de baianas, que contribuem para a marcação do ritmo, percutindo pequenas tábuas de madeira.

 

Bando Anunciador ou Pregão
Grupo de homens que se apresentam em traje esporte, tocando caixa, bombo, trombone e clarinete, ou seja, instrumentos de percussão e de sopro, com a finalidade de anunciar a festa que se aproxima. Essa exibição tem lugar normalmente no domingo que antecede o início da programação propriamente dita. O bando distribui a programação da festa e costuma se acompanhada pelas filarmônicas locais. Em Cachoeira acontece durante a festa de Nossa Senhora d’Ajuda, que tem data móvel, entre outubro enovembro.

 

Levagem da lenha

Dezenas de baianas carregando feixes de lenha, além de mascarados: bumba-meu-boi, cavaleiros, bicicletas e carroças enfeitadas, desfilam em cortejo pelas ruas, retratando uma época em que a cidade não dispunha de luz elétrica e a praça ou local da festa era iluminado por fogueiras. Trata-se de uma manifestação rara no estado da Bahia, só aparecendo na cidade de Cachoeira durante os festejos em louvor a Nossa Senhora da Ajuda no mês de novembro.

 

Queima-de-Judas

Judas são bonecos de palha ou de pano, queimados no Sábado de Aleluia. Banidos dos centros das cidades grandes, os Judas continuam nas zonas rurais, pendurados nos galhos de árvores, e sua queima acontece logo depois que os sinos anunciam a Aleluia Litúrgica. Em todo o Brasil é costume fazer o julgamento do Judas, sua condenação e execução. Antes do suplício, alguém lê o julgamento de Judas em versos, colocado especialmente no bolso do boneco.

 

Trança-fitas

Grupo composto por meninas, sendo que uma delas carrega o estandarte com a inscrição “Trança-fitas”. É uma formação em círculo, tendo ao centro uma das participantes, segurando um mastro. No alto do mastro há 12 fitas de cores diferentes penduradas, cada menina segura uma delas. As meninas começam a trançar, sendo que umas ficam de frente e outras de costas, trançando até o meio do mastro quando começam a executar o movimento contrário.
Bumba-meu-boi
É a mais estranha, original e complexa dança dramática do Brasil, apresentando variantes em diferentes regiões do país. Apresentam-se vários personagens celebrando sempre o boi. O bailado consiste na sucessão de várias cenas alusivas ao animal, que depois é conduzido por dois vaque

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