Museu de Arte Sacra

Museu de Arte Sacra pertence a Universidade Federal da Bahia (Ufba). Está instalado no antigo Convento de Santa Teresa de Ávila, fundado pelos Carmelitas Descalços em meados do século XVII, na Cidade do Salvador – capital do Brasil de 1549 a 1759. Em 1660, monges da Ordem dos Carmelitas Descalços portugueses aportaram na Bahia de passagem para a Índia e decidiram, a pedido dos habitantes locais, permanecerem na cidade. Inicialmente, foi edificado um pequeno hospício, no sítio chamado Preguiça, em terreno próximo ao mar e doado pelo rei de Portugal, D. Afonso VI. No decorrer do tempo, ajudados por esmolas, ergueram o atual convento em área contígua, no ano de 1667, tendo a Igreja sido inaugurada em 15 de outubro de 1697. A partir de então, o Convento de Santa Teresa tornou-se um dos maiores conjuntos conventuais da Ordem em todo mundo português e foi fator importante no desenvolvimento da cidade do Salvador e na ocupação do território baiano. O fato de o Convento ter servido de alojamento para as tropas portuguesas no momento das lutas pela independência da Bahia, até a vitória final em 2 de julho de 1823, aliado aos ressentimentos dos baianos contra os portugueses que viviam na cidade, determinaram a extinção da Ordem em 1840. Antes, porém, em 1837, instala-se em Santa Teresa o Seminário Arquiepiscopal e em 1856 o Arcebispo passa sua administração aos padres lazaristas. Em 1956, o Seminário muda-se para outro local, ficando o convento abandonado e em ruínas até princípios de 1958, quando o Reitor Edgar Santos, da Ufba, tomou a decisão de aí instalar o Museu de Arte Sacra da Ufba, através de um convênio com a Arquidiocese de Salvador. Considerado um dos exemplares mais significativos da arquitetura seiscentista brasileira e tombado, individualmente, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Convento de Santa Teresa de Ávila está localizado na área do Centro Histórico de Salvador, declarada “Patrimônio da Humanidade” pela Unesco, em 1985. Acervo O Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia tem contribuído significativamente para o estudo da arte, através das inúmeras atividades que tem realizado desde a sua fundação, como cursos, exposições, congressos, concertos, etc., sempre contando com a valiosa e indispensável colaboração de órgãos municipais, estaduais e federais, além de organismos estrangeiros ligados à arte. O valor histórico do seu acervo e conjunto arquitetônico, colocam-no em lugar de destaque entre os museus sacros existentes no Brasil, na América Latina e no mundo. Imaginária A coleção exposta no Museu de Arte Sacra é composta de peças do seu próprio acervo, adquiridas ao longo do tempo, desde a sua inauguração, como também de obras a ele confiadas por igrejas, irmandades, conventos e colecionadores particulares. Dentre as peças por ele guardadas, a grande maioria esculturas em madeira e barro cozido dos séculos XVII e XVIII, algumas se destacam, a exemplo das obras produzidas por Frei Agostinho da Piedade, monge beneditino e artista que viveu no Mosteiro da Bahia, falecido em 1661: “Sant’Anna Mestra”, assinada e datada de 1642; “Nossa Senhora de Montesserrate”, na qual se encontra a inscrição: “Frei Agostinho da Piedade Religioso Sacerdote de São Bento fez esta imagem de Nossa Senhora, por mandado do mui devoto Diogo de Sandoval, e fê-la por sua devoção, 1636.”; e a Imagem de “Nossa Senhora das Maravilhas”, de madeira policromada, do século XVI, trazida de Portugal possivelmente pelo primeiro Bispo do Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha, em 1552, e revestida de prata na Bahia, na segunda metade do século XVII. Segundo a lenda, enquanto orava aos pés desta imagem, o Pe. Antônio Vieira, da Ordem dos Jesuítas, sentiu o famoso “estalo” que o transformou no maior orador sacro da língua portuguesa. Fazendo parte desse acervo conhecido nacional e internacionalmente, inclui-se a coleção de marfins dos séculos XVII e XVIII, da qual se destaca: “Cristo” esculpido por indianos de Goa; escultura de madeira policromada em alto-relevo; “Adoração dos Pastores”, composição ingênua e popular, executada para compor o tímpano do altar da Capela de São José da antiga Sé (antigo altar da Santa Cruz), no fim do século XVII, considerada uma das mais valiosas talhas seiscentistas do Brasil; “Anjos Tocheiros” de madeira policromada e dourada do século XVIII, com 1,85m de altura, atribuídos ao escultor lusitano José Eduardo Garcia, que viveu e trabalhou na segunda metade do século XVIII; “Tondo Octogonal” representando Nossa Senhora da Conceição com a coroa Real de D. João VI, de madeira dourada e policromada, da segunda metade do século XVII, procedente de altar da antiga Sé da Bahia, demolida em 1933; conjunto de “Sant’Anna e Nossa Senhora” procedente do Convento das Mercês, de madeira policromada e dourada, da segunda metade do século XVIII, exemplo de escultura com policromia baiana da época, que apresenta características de um barroco tardio conjugadas ao gosto neoclássico. Prataria A coleção de objetos em prata do MAS, composta por castiçais, tocheiros, custódias, cálices, gomis, navetas, turíbulos, âmbulas, etc., expõe belíssimos trabalhos de ourivesaria da mais alta importância para a história da arte brasileira, inclusive executados por mestres baianos, a exemplo de Joaquim Alberto da Conceição Mattos, bisavô do Barão do Rio Branco, autor do frontal de altar feito para a Capela do Santíssimo Sacramento da antiga Sé da Bahia, no século XVIII. Merece destaque o lampadário de prata de autoria de João da Costa Campos, também procedente da capela do Santíssimo Sacramento da antiga Sé. Mobiliário Ainda que em menor quantidade, as peças de mobiliário que compõem o acervo do MAS são exemplares da carpintaria e marcenaria da época, da mais alta qualidade. Representando a tradição da ciência e do saber do antigo Colégio dos Jesuítas, está em exposição a Cátedra de Aula Magna, datada de 1660, toda em jacarandá. Igualmente valioso é o arcaz de jacarandá que compõe a Sacristia da Igreja de Santa Tereza de Ávila, com 10,72 metros de comprimento, 21 gavetas e16 pinturas na sua parte superior figurando episódios da vida de Santa Teresa de Ávila, do antigo Convento dos Terésios, século XVII; do mesmo modo, o altar armário de madeira policromada com fina pintura chinesa, da época de D. João V. Pintura Dentre os trabalhos de pintura que fazem parte do acervo do MAS, menção deve ser feita à “Nossa Senhora da Assunção”, do século XVIII, de autoria de José Joaquim da Rocha – fundador da Escola de Pintura da Bahia – procedente do convento das Mercês; “Jesus institui a Eucaristia” e o “Sumo Sacerdote Malquisedeque” produzidos pelo renomado pintor sacro José Teófilo de Jesus, em 1793, para a antiga Sé; e as quatro telas a óleo de Souza Braga “Flagelação de Nosso Senhor”, “Nosso Senhor é pregado na Cruz”, a “Descida da Cruz de Nosso Senhor” e o “Encontro de Nosso Senhor com sua Mãe Santíssima”, todas de 1755. Merece especial atenção onze preciosas telas cuzquenhas, do século XVIII.

Endereço: Rua do Sodré, 276 – Centro
Telefone: + 55 71 3283-5600

Horário: seg a sex das 11:30 às 17h

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Descrição: O mais antigo museu do Estado, fundado em 1918, ocupando hoje, o Solar dos Cerqueira Lima. Destaca-se em seu acervo, mobiliário, pinturas, porcelanas orientais e européias, esculturas, imagens sacras, pratarias.

 

Bahia.com.br
Copyleft 2018